quarta-feira, 7 de abril de 2010

Um pensamento democrata.

Conversava com um amigo em um bar em frente ao Beira-Rio, certa ocasião. Falávamos sobre como muitos porto-alegrenses não têm o hábito de ir ao estádio assistir os jogos, mesmo tendo a oportunidade, desde criança. E chegamos à conclusão que essa condição era exatamente a causa dessa gente preferir assistir os jogos de casa, enquanto nós que crescemos longe do estádio e só podíamos ir ao jogo quando muito uma vez a cada dois meses hoje vamos sempre, pois valorizamos essa oportunidade. Lembro também de ver em alguma reportagem ano passado um alemão que viveu na antiga Alemanha Oriental falando sobre como ele valorizava a liberdade que tinha hoje.

As pessoas tem essa característica, de achar que aquilo com que elas nasceram não vale muita coisa, e de apreciar aquilo que é conquistado. Péssimo. Por que não é intrínseco a nós mesmos valorizarmos as coisas que concordamos que são boas? É um saco essa história de que “só se valoriza quando se perde”, o que pra mim torna fato que a dor do fracasso é sempre imensamente superior à alegria da conquista, isto é, mesmo aquilo que conquistamos, depois de um tempo passa a ser algo que consideramos sem valor, ao menos irracionalmente.

Tento não pensar dessa forma, o que não parece natural. Eu quero valorizar a minha saúde, quero ser feliz pela boa qualidade de vida que tenho, mas existe uma diferença entre querer e sentir. Principalmente no que diz respeito àquilo que é comum à muitos. É bom ter celular? Sim. Só que todo mundo tem, logo não é tão bom assim. Será que estar numa boa universidade teria tanto destaque caso todos tivessem acesso a uma?

Deixando um pouco de lado as evidências do quão medíocre é o ser humano, digo que trouxe o pensamento à tona pelo fato de que há eleições presidenciais esse ano. Achem o que achar sobre a política, que nenhum candidato presta, ou sei lá. Achem o que for, mas valorizem o sistema, valorizem ter uma voz. Pense que se tu fosse um chinês tu não teria o poder de dar a tua opinião no teu próprio Estado.

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