Em um certo momento me encontro sozinho no meu antigo quarto caçapavano, esperando alguém que ficou de aparecer. Começo a mexer em antigos cadernos e reparo numa coisa: ali estão matérias que, pra mim, eu não tinha visto até esse ano; que não tenho a mínima lembrança de ter visto no colégio em Caçapava... E no fim do caderno vejo um controle de notas que eu tinha; que mostram notas oscilando entre sete e dez, nunca menos que isso. Ou seja, a cobrança era de tal forma que era possível criar um esquema como o meu foi: de decorar a matéria nas vésperas da prova e depois esquecer.
Isso que eu sempre estudei no que, segundo o consenso geral, é o melhor colégio da cidade. Onde é comum ver quem vem de outras escolas se queixando da cobrança, de como é mais puxado.
Agora imagine um colégio que não é o melhor, a situação que se encontra. O problema que mostro aqui acho que não é desconhecido pra ninguém que tenha um mínimo contato com o sistema de educação no Brasil hoje: da impressão (ou certeza) de que a ordem que vem “de cima” é de passar todo mundo, aprendendo ou não a matéria.
Não entendam como uma crítica à Coeducar, meu antigo colégio, muito pelo contrário, lá se vê gente preocupada não só com passar a matéria obrigatória como uma conduta civilizada adiante, uma preocupação com o aluno como pessoa.
Acontece que, no aspecto nacional, parece haver uma visão de que rodar o aluno é uma forma de exclusão, algo que deve ser evitado a todo custo, coisa que eu imagino não precisar dizer que é uma burrice imensa... E diretores com essa mesma minha opinião não têm poder para mudar situação, ou ao menos não parecem ter.
Aparentemente é uma política avançada, a inclusão da filosofia e da sociologia como matérias obrigatórias (medidas com as quais eu concordo), um anti-autoritarismo. Na prática é matação de aula e o desrespeito crescente à instituição que é a escola e o educador. Uma ênfase nos direitos do aluno desconsiderando os deveres. É só falar com qualquer aluno, perguntar o que ele pensa do colégio. A impressão que dá é que a imensa maioria não consegue entender por que ter que ir até a escola, por que aquelas matérias são passadas, eles simplesmente não se perguntam isso. E se perguntam, a resposta é que serve pra atrapalhar.
Daí não é de se surpreender com o que se vê nos jornais todos os dias, com as grades que se vê nas ruas todos os dias... O Estado brasileiro simplesmente não faz a sua parte.
Já vi dizer que essa política de passar todo mundo serviria para a política externa brasileira, que aumentaria o número de pessoas formadas e daí o IDH, o que ajudaria o Brasil a conseguir uma vaga no Conselho de Segurança da ONU, não sei se é verdade.
O que é verdade é que é óbvio que o objetivo dessa política não visa o bem da população, e que seja onde for que qualquer um se situe no espectro político, todos concordam que a educação é importantíssima.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
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Disseste tudo...
ResponderExcluiré verdade, tenho vários colegas que não sabem a matéria, vão ficar em recuperação final e muitos ainda vão fazer a prova de março, mas tenho certeza de que vão passar todos -.-
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